O que ficou do que foi - O Álbum Francisco Manuel Fialho, 2016
Intervenção sobre impressão a jacto de tinta / 40x72 cm

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Fui para Alvito com intenção de trabalhar com um espólio fotográfico do início do século XX, um conjunto de imagens que julgava serem representações da minha família, pois pertenciam ao Professor Luís Cabanas, com quem partilho o sobrenome e antecedentes. Contudo, estas fotografias estereoscópicas pertenciam a Francisco Manuel Fialho e foram dadas ao Professor por causa da sua conhecida devoção à fotografia.
Conta-se que Francisco Manuel Fialho era um agricultor que estudou engenharia: homem intelectual, culto e viajante na Europa, um homem invulgar no Alentejo. Nunca se casou, não teve filhos e, no final da sua vida, sentiu-se muito só, sem saber se quem se aproximava agia com afecto ou interesse. Morreu nos anos 60, com noventa e nove anos, sem descendentes e no testamento tudo se dispersou. Entre outras coisas, tinha uma grande paixão pela fotografia, uma técnica na época sem fácil acesso que só era possível dominar com conhecimento e dedicação.
Interessou-me o valor histórico e a qualidade das imagens, mas acima de tudo fiquei envolvida nesta narrativa e o seu vazio: uma imagem abstracta, que se abre como um espelho, dando espaço para um reflexo da imaginação.

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What remains of what it was – Album Francisco Manuel Fialho, 2016
Intervention on inkjet print, acrylic and wood / 40x72 cm

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I went to Alvito to work on a photographic archive from the early 20th century, a collection of images I thought were depictions of my family, for they belonged to Professor Luís Cabanas, with whom I share both surname and ancestry. These stereoscopic photos, however, had once been property of Francisco Manuel Fialho, and were offered to the Professor due to his well known devotion to Photography.
Word was that  Francisco Manuel Fialho was a farmer who had once studied engineering: an intelectual, an educated man who had travelled Europe, an unsual man in Alentejo, to all accounts. He was never married, had no children, and in his late years, ultimately, felt very lonely, never sure if whoever come close did it from true affection or an ulterior motive. He passed away in the 1960s, at 99, leaving no heirs, and his belongings were scattered around. Among other interests, he shared a great passion for photography, a medium which, at the time, was not accessible to most, and could only be mastered through knowledge and dedication.
I was first interested in the quality and historic value of these images, but then I got caught up in this narrative and its emptiness: an abstract image opening up like a mirror, leaving enough room for imagination to be reflected.
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