DAVID BARRO

«CARLA CABANAS E O ESPELHO QUE FOGE EM VIAGEM»

“Mas nesse momento um comboio expresso chegou à estação. O seu solene estrondo no cruzamento das vias, o seu breve assobio, decidido, irritado, interromperam o discurso do Homem que não conheço. Quando o comboio parou e não se ouviram mais do que surdos roncos da máquina, e os viajantes saíram, o Homem quis ainda assim continuar mas eu antecipei-me”.
O espelho que foge, Giovanni Papini

Parece-me que as fotografias de Carla Cabanas têm algo de semelhante aos contos de Papini. Fruto de uma maneira tensa de apreender a realidade, captam o efémero do quotidiano dando importância ao argumento mínimo. Se é verdade que a imagem se capta num instante, não é menos verdade que ganha forma depois de uma lenta perseguição, como pausa ou espera. Daí a sua intensidade, como quem pinta trabalhando o defeito da imagem.
Carla Cabanas procura a emoção mais sentida a partir do adelgaçamento da existência, uma concretização daquilo a que chamamos curiosidade. Assim, ainda que esta série nasça da viagem, acredito, sinceramente, que em Carla Cabanas, a viagem em si bem que podia ser dispensável. A sua viagem é outra. A do encontro. Ou, melhor, a do encontro com a luz. Aí nasce a sugestão, a intensidade, a tonalidade que nasce da sombra, do desfocado ou do reflexo da imagem.
Voltemos a Papini: “Imaginem que todo o mundo se detinha de repente, em certo momento, e que todas as coisas permaneciam no sítio em que estavam e que todos os homens ficavam imóveis, como estátuas, na posição em que estavam nesse momento, na acção que estavam a realizar... Se isto acontecesse e se, apesar dessa situação, os homens continuassem a pensar, e pudessem recordar e julgar o que fizeram e o que estavam a fazer, e pudessem examinar tudo o que realizaram desde o seu nascimento e meditar sobre o que ainda desejavam realizar antes da morte, imagine-se quanto desespero arderia por debaixo do silêncio trágico desse mundo momentaneamente parado!”.
As imagens de Carla Cabanas convocam a nossa cumplicidade para nos aproximarmos delas. Algo como procurar atrás do sonho, como estrangular o desejo. Carla transita no lado oculto e obscuro do visível, e, de certa forma, viola essa intimidade como uma explosão de luz difusa, distorcida. São imagens roubadas, banhadas por um halo melancólico resultante do seu desejo de captar a imagem que reflicta a realidade, que nunca é a imagem do real, mas o olhar transversal dela, o instante de um presente que flutua na memória. Eis porque a sua fotografia é mais pintura ou desenho, do que propriamente fotografia.
Diría que as imagens de Carla Cabanas não têm princípio nem fim, conflito sobre o qual reflecte profundamente, e muito bem, John Berger, que distingue entre a fotografia – documento do passado – e a pintura – profecia recebida do passado acerca do que o espectador vê ao situar-se perante a pintura nesse momento. É a imagem visual como comentário de uma ausência, como ausência daquilo que é descrito. “As imagens visuais baseadas nas aparências falam sempre do desaparecimento (...) Os contos, a poesia, a música pertencem ao tempo e jogam com ele. A imagem visual estática nega o tempo em si própria (...) ao ser estática, a pintura tem poder para estabelecer uma harmonia visualmente palpável (...) A composição musical, ao ampliar o tempo, está obrigada a ter um princípio e um fim. Um quadro só tem princípio e fim na medida em que é um objecto físico: nas suas imagens não há nem princípio nem fim”.
Carla Cabanas trabalha o limite, a margem das disciplinas e, simultaneamente, a margem da realidade. Por isso esconde os seus desenhos intímos, explicítos, mas também secretos, e por isso fotografa desfocando os limites da forma. A sua estratégia de resistência consiste em ir ao contrário, à procura da mancha, da decomposição da imagem, da dissolução do espaço.
Deste modo, apanha a memória num beco sem saída. Como a sensação exasperante desses homens que Papini contém no seu próprio tempo. As imagens de Cabanas caracterizam-se precisamente por isso, por encerrarem o seu próprio tempo. Todos consideramos alguns dos instantes por nós vividos como instantes decisivos e sucessivos, como uma espécie de algo que virá. A vida é feita de sonhos e de ideais, de projectos; nas palavras de Papini: “todo o seu presente é feito de pensamentos sobre o seu futuro”. Por isso, no seu espelho fugidío deixa mais palavras que, insisto, parecem encaixar muito bem nas imagens de Carla Cabanas: “Tudo o que existe, o que está presente, parece-nos obscuro, mesquinho, insuficiente, inferior, e nós só nos consolamos pensando que todo este presente não é senão um prólogo, um longo e aborrecido prólogo ao belo livro do futuro. Todos os homens, quer o saibam quer não, vivem graças a esta fé. Se de repente lhes fosse dito que dentro de uma hora todos morreriam, tudo o que fazem e fizeram não teria para eles qualquer prazer, sabor e valor. Sem o espelho do futuro, a realidade actual pareceria torpe, suja, insignificante”.
Será certamente isso que leva Carla Cabanas a procurar refúgio na pintura ou, mais concretamente, na fotografia ou no desenho que funcionam como pintura, quer seja como tema, quer seja como conceito. É a sua maneira de questionar o fotográfico, a representação. No fundo, tudo se resume ao afã de chegar ao mais pessoal, onde o dizer é impossível, como um relato poético agonizante, adelgaçado.
Mas decerto que também aí radica o seu interesse pela pintura de Hopper, que a partir das suas personagens e cenas, de aparência tranquila, consegue transmitir uma sensação de impossibilidade, um mundo sem saídas, de figuras solitárias, disseminadas pelos complexos urbanos. Como nas obras de Hopper, nas imagens de Carla Cabanas palpita uma certa solidão, um vazio que parece ter-nos encurralado na nossa própria sombra; porque se as imagens coincidem em algo é nessa quietude colorida que naufraga entre as luzes de um movimento apenas aparente.
Carla Cabanas penetra nas propriedades subjectivas da fotografia e constrói lugares que acabam por ser “não lugares”, vidas que parecem imaginações e todo o tipo de projecções que conformam uma realidade filtrada por uma forma de olhar eminentemente pictórica. Carla Cabanas destila a pintura e namorisca a linha e a mancha; enfim, namorisca as formas esvazeadas de todo o realismo. Será que a história de Carla Cabanas é uma luta com e contra a impossibilidade de querer e não querer embarcar numa viagem, de revelar os seus desenhos secretos, ou, simplesmente, de deixar-se levar, como no conto de quem vai, ao meio da tarde, de uma pizaria para um hotel e ao fechar a porta não encontramos um fim de história que, quem sabe, pode permanecer aberto na eternidade? Talvez tudo seja produto de uma fuga, como a do espelho de Papini: “todo o seu entusiasmo desaparecera como um fio de fumo. Em vez de responder, tirou da sua lapela uma das suas violetas e ofereceu-ma. Inclinando-me, peguei nela, aproximei-a do nariz e senti-me atraído pelo seu leve perfume”.
Assim é a viagem de Carla Cabanas. Nunca será a Paris de Brassaï, nem a Nova Iorque de Stieglitz, nem a Hamburgo em contra-luz de Reger-Patzsch. Tão pouco a Paris de Bucovich, embora esteja mais próxima. E muito menos outra Paris, como a de Doisneau. E o mesmo se pode dizer em relação à paisagem mínima da Praga de Sudek. Tudo permanece alheio e tudo é tão envolvente como quem olha e fotografa sem película ou como quem compõe música sem instrumentos. Será a realidade em fuga, evasiva, de Carla Cabanas.

DAVID BARRO

«CARLA CABANAS Y EL ESPEJO QUE HUYE DE VIAJE»

“Pero en ese momento un tren expreso llegó a la estación. Su estruendo solemne en el cruce de las vías, su breve silbato, decidido, irritado, interrumpieron el discurso del Hombre que no conozco. Cuando el tren se calmó y no se oyeron más que sordos bufidos de la locomotora y los viajeros escaparon, el Hombre quiso todavía continuar pero yo me anticipé”.
El espejo que huye, Giovanni Papini

Entiendo que las fotografías de Carla Cabanas son algo así como los relatos de Papini. Fruto de una manera tensa de aprehender la realidad, recogen lo efímero de lo cotidiano dando importancia al argumento mínimo. Si es verdad que la imagen se toma en un instante, también lo es que cobra forma tras ser perseguida lentamente, como pausa o espera. De ahí su densidad, como quien pinta trabajando el defecto de la imagen.
Carla Cabanas procura la emoción más sentida a partir de un adelgazamiento de la existencia, una concreción de eso que llamamos curiosidad. Así, aunque esta serie nace del viaje, creo, sinceramente, que en Carla Cabanas el viaje en sí bien pudiera ser dispensable. Su viaje es otro. El del encuentro. O, mejor, el del encuentro con la luz. Ahí nace la sugerencia, la intensidad, el matiz que nace de la sombra, la borrosidad o el reflejo de la imagen.
Volvamos a Papini: “Imaginen que todo el mundo se detuviese de improviso, en un instante dado, y que todas las cosas permanecieran en el sitio en que estaban y que todos los hombres se volvieran inmóviles, como estatuas, en la actitud en que estaban en ese instante, en la acción que se hallaban ejecutando... Si esto ocurriera y si a pesar de todo ello continuara todavía funcionando en los hombres el pensamiento, y pudieran recordar y juzgar lo que hicieron y lo que estaban haciendo, y pudieran examinar todo lo que realizaron desde su nacimiento y meditar en lo que deseaban realizar antes de morir, ¡imagínense cuánta desesperación ardería bajo el trágico silencio de ese mundo detenido de improviso!”.
Las imágenes de Carla Cabanas demandan nuestra complicidad para acercarnos a ellas. Algo así, como buscar detrás del sueño, como estrangular el deseo. Carla transita el lado escondido y oscuro de lo visible, y, en cierto modo, viola esa intimidad con un fogonazo de luz difusa, distorsionada. Son imágenes robadas, bañadas por un halo melancólico producto de su anhelo por capturar la imagen que refleja la realidad, que no es nunca la imagen de lo real, sino la mirada transversal de ésta, el instante de un presente que flota en la memoria. De ahí que su fotografía sea más pintura, dibujo, que propiamente fotografía.
Diría que las imágenes de Carla Cabanas no tienen principio ni fin, conflicto sobre el que profundiza de manera afortunada John Berger, que diferencia entre la fotografía -documento del pasado- y la pintura -profecía recibida del pasado acerca de lo que el espectador ve al situarse ante la pintura en ese momento-. Es la imagen visual como comentario de una ausencia, como ausencia de lo que se describe. “Las imágenes visuales basadas en las apariencias hablan siempre de la desaparición (...) Los cuentos, la poesía, la música pertenecen al tiempo y juegan con él. La imagen visual estática niega el tiempo en sí misma (...) al ser estática, la pintura tiene poder para establecer una armonía visualmente palpable (...) La composición musical, al emplear el tiempo, está obligada a tener un principio y un fin. Un cuadro sólo tiene principio y fin en la medida en que es un objeto físico: en sus imágenes no hay ni principio ni fin”.
Carla Cabanas trabaja el límite, el margen de las disciplinas y, al mismo tiempo, el margen de la realidad. Por eso esconde sus dibujos íntimos, explícitos pero todavía secretos, y por eso fotografía desdibujando los límites de la forma. Su estrategia de resistencia consiste en ir al revés, buscando la mancha, la descomposición de la imagen, la disolución del espacio.
Así, atrapa la memoria en un callejón sin salida. Como la sensación exasperante de esos hombres que Papini contiene en su propio tiempo. Las imágenes de Cabanas se caracterizan precisamente por eso, por tener su propio tiempo. Todos entendemos algunos de nuestros instantes vividos como instantes decisivos y sucesivos, como suerte de algo que vendrá. La vida se arma de sueños e ideales, de proyectos; en palabras de Papini: “todo su presente está hecho de pensamientos en torno a su futuro”. Por eso en su huidizo espejo deja más palabras que, insisto, semejan encajar brillantemente en las imágenes de Carla Cabanas: “Todo lo que es, lo que está presente, nos parece oscuro, mezquino, insuficiente, inferior, y nosotros nos consolamos solamente pensando que todo este presente no es sino un prólogo, un largo y aburrido prólogo, a la hermosa novela del porvenir. Todos los hombres, lo sepan o no, viven gracias a esta fe. Si de pronto se les dijese que dentro de una hora todos morirán, todo lo que hacen y lo que hicieron no tendría para ellos ningún placer ni sabor ni valor alguno. Sin el espejo del futuro la realidad actual parecería torpe, sucia, insignificante”.
Seguramente por eso Carla Cabanas busca refugio en la pintura, o más concretamente en la fotografía o el dibujo que funcionan como pintura, ya sea como tema, o como concepto. Es su manera de cuestionar lo fotográfico, la representación. En el fondo, todo es un afán de llegar a lo más personal, a donde el decir es imposible, como un relato poético agonizante, adelgazado.
Pero seguramente también hay radica su interés por la pintura de Hopper, quien a partir de sus personajes y escenas, de apariencia tranquila, logra transmitir una sensación de imposibilidad, un mundo sin salidas, de figuras solitarias, diseminadas en lo complejos urbanos. Como en las obras de Hopper, en las imágenes de Carla Cabanas palpita cierta soledad, un vacío que semeja tenernos atrapados en nuestra propia sombra. Porque si en algo coinciden es en esa quietud coloreada que naufraga entre las luces de un movimiento sólo aparente.
Carla Cabanas indaga en las propiedades subjetivas de la fotografía y construye lugares que acaban siendo ‘no lugares’, vidas que parecen imaginaciones y todo tipo de proyecciones que conforman una realidad filtrada por una manera de mirar, eminentemente, pictórica. Carla Cabanas destila la pintura y coquetea con la línea y con la mancha, en definitiva, con las formas perdidas de todo realismo. ¿Será que la historia de Carla Cabanas es una lucha con y contra la imposibilidad: la de querer y no querer embarcarse en un viaje, o revelar sus dibujos secretos, o simplemente el dejarse llevar, como en el cuento de quien va, a media tarde, de una pizzeria a un hotel y al cerrar la puerta no encontramos un final que, quien sabe, puede quedar abierto en la eternidad? Tal vez todo sea producto de una huida, como la del espejo de Papini: “todo su entusiasmo había desaparecido como un hilo de humo. En vez de responder, se quitó del ojal una de sus violetas y me la ofreció. Yo la tomé con una inclinación, la acerqué a la nariz y su leve perfume me gustó”.
Así es el viaje de Carla Cabanas. Nunca será el París de Brassaï, ni la Nueva York de Stieglitz, ni el Hamburgo en contraluz de Reger-Patzsch. Tampoco el París de Bucovich, aunque esté más cerca. Y mucho menos otro París, como el Doisneau. Aunque sí el paisaje mínimo de la Praga de Sudek. Todo queda lejos y todo está tan cerca como quien mira y fotografía sin película o como quien compone música sin instrumentos. Será la realidad en fuga, huidiza, de Carla Cabanas.

DAVID BARRO

«CARLA CABANAS AND THE ESCAPING MIRROR ON TRAVEL»

“But in that moment an express train arrived at the station. Its solemn bang in the rail crossing, its short whistle, decided, irritated, interrupted the speech of the Man I do not know. When the train came to a halt and nothing but the deaf snores of the machine could be heard, and all the travellers got out, the Man wanted ever so to proceed, but I anticipated myself”.
The Escaping Mirror, Giovanni Papini

It seems to me that Carla Cabanas’ photographs have some similarities to Papini’s short stories. Product of a certain tense way of apprehending reality, they capture the ephemeral of everyday life giving importance to the minimal plot. If it is true that the image can be captured in an instant, it is not less true that it gains shape after a slow pursuit, as a pause or a waiting. From there comes its intensity, as someone who paints by working on the image’s defect.
But let us go back to Papini: “Imagine that the entire world would suddenly come to a halt in a certain moment, and that all things would remain in the place where they were and all people would remain still, like statues, in the position they held in that moment, in the action they were performing... If this happened and if, despite this situation, men never stopped thinking, and could remember and access what they had done and what they were doing, and could examine all they had accomplished ever since they were born and ponder on what they still wish to accomplish before death, imagine just how much despair would burn underneath that momentarily stopped world’s tragic silence.”
Carla Cabanas’ images summon our complicity to come closer to them. Something like searching behind the dream, like strangling desire. Carla travels on the darkened and hidden side of what is visible, and, in a way, violates this intimacy as an explosion of twisted and dim light. Stolen images, bathed by a melancholic halo which comes from her desire to capture the image that best reflects reality, which is never the image of the real, but her oblique regard, the present’s moment that hovers on memory. This is why her photography reminds us more of painting or drawing, that photography per se.
I would say that Carla Cabanas’ images have no beginning and no end, a conflict on which John Berger insightfully reflects, and very well, separating photography – a document from the past – from painting – prophecy received from the past on what the viewer sees when standing before the painting at that moment. It is the visual image as a comment on an absence, as an absence of what is described. “Visual images based on appearances always tell us about disappearance (…) Tales, poetry, music, they belong to time and play with it. The static visual image in itself denies time (…) by being static, painting has the power to establish a visually graspable harmony (…) Musical composition, by widening time, is bound to have a beginning and an end. A painting only has beginning and end to the extent that it is a physical objects: in its images there is no beginning and no end”.
Carla Cabanas works the borderlines, the edges of the disciplines, and, at the same time, the edges of reality. That is why she hides her intimate and explicit drawings, but also secret, and that is also why she photographs by blurring the edges of shape. Her strategy of resistance consists in going the other way around, looking for the blur, the image decomposition, the dissolution of space.
This way, she catches memory in a dead end. As the exasperating feeling of the men Papini contains in his own time, Carla Cabanas’ images are characterized precisely because they close in on their own time. We all consider some of the moments we have experienced as decisive and successive, as a sort of something that is still to come. Life is made of dreams and ideals, of projects; in Papini’s words: “all your present is made out of thoughts on your future”. Therefore, in his escaping mirror he leaves more words that, I insist, seem to fit perfectly the images provided by Cabanas: “All that exist, what is here, seems to us dark, petty, insufficient, inferior, and we only receive solace by thinking that all this present is nothing more than a prologue, a long and fastidious prologue to the beautiful book of the future. All men, whether they know it or not, live holding on to this belief. If they were told that all of them would die within an hour, all that they do or have in fact done would not have any pleasure, taste or worth. Without the mirror of the future, present day reality would seem dull, dirty, insignificant.”
It is surely this what makes Cabanas seek refuge in painting, or, more precisely, in the photography or the drawing which work as painting, whether as a theme or as a concept. It is her way of questioning the photographic, and representation. Deep down, all can be summarized in the toil of getting to the most personal, where telling becomes impossible, as an agonizing and slimmed poetic report.
But surely there is based her interest in Hopper’s paintings, who, from his apparently serene characters and settings, manages to express a feeling of impossibility, a world of dead ends, of lonely figures, scattered around urban complexes. As in Hopper’s works, also in Carla Cabanas’ images pounds a certain loneliness, an emptiness which seems to have cornered us against our own shadow; for if these images coincide on something, it is in that colourful quietness that wrecks between the lights of a movement that is just an apparent one.
Carla Cabanas penetrated in the subjective properties of photography and builds places that are but non-places, lives that resemble fictions and all sorts of projections that shape a reality filtered by an eminently pictorial way of seeing. Carla Cabanas distils painting and flirts with the line and the blur; she flirts with the emptied shapes of all realism. Could it be that the story of Cabanas is nothing but a struggle with and against the impossibility of wanting and not wanting to board on a journey? Of revealing her secret drawings? Or simply to just let herself go, as in the story of he who goes, in mid afternoon, from a pizza place to a hotel and, when closing the door, we reach not the end of the story, and can remain forever open. Perhaps everything is but the result of an escape, like that of Papini’s mirror: “all his enthusiasm had disappeared like a string of smoke. Instead of answering, he took one of his violets from the lapel and offered it to me. Leaning, I took it, brought it up to my nose and felt drawn to its light perfume.”
Such is the journey of Carla Cabanas. It will never be Brassaï’s Paris, nor Stieglitz’s New York, or Reger-Patzsch’s Hamburg against backlight. Not even Bucovich’s Paris, although closer. And much less another Paris, as Doisneau’s. And the same can be said about the minimal landscape of Sudek’s Prague. All remains estranged and all is ever so immersing as those who look and photograph without film, or those who make music without instruments. It will be Carla Cabanas’ escaping reality, evasive.