A Mecânica da Ausência, 2016
Instalação com projecção sincronizada de slides 35 mm, 5 Projectores, dimensões variáveis.

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O trabalho de Carla Cabanas foca-se em reinterpretar o tempo e a memória, por via de uma ideia de perda e saturação.
Alterando um conjunto de diapositivos, a artista modifica a história que cada imagem retém, transformando, com essa acção, aquilo que era o registo de instante suspenso, ou o deter de um momento especial, num tempo vivo, indefinido e efabulado.
Cortando o suporte e marcando uma ausência, ou acrescendo-lhe outros recortes para densificar a imagem, Carla Cabanas compõe um palimpsesto de referências que abre espaço a um outro olhar. Um olhar feito de camadas, onde algo se esvazia e se preenche, ou algo se esquece e se recorda, com a imprecisão do que a memória apaga e mantém.
Trata-se assim de construir uma visão que traduz um tempo complexo, estratificado e não linear. Uma visão que responde mais à emoção do que à racionalidade da sucessão cronológica, e que varia entre aquilo que cada imagem fixa e aquilo que a artista manipula. (...)

Sérgio Fazenda Rodrigues

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The Mechanics of Absence, 2016
Installation with synchronised 35mm slide projection, 5 projections, dimensions variable.

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Carla Cabanas’ work focuses on reinterpreting time and memory, through an idea of loss and saturation.
Changing a set of slides, the artist modifies the story that each image retains, transforming, with that action, what was the registration of the suspended instant, or the crystallization of a special moment, in a living, undefined and fabled time.
Cutting the support and marking an absence, or adding to it other cuts in order to densify the image, Carla Cabanas composes a palimpsest of references that makes room for another look. A look made of layers, where something empties and fills itself, or something forgets and remembers, with the imprecision of what memory erases and keeps.
This is thus about the construction of a vision that translates a complex, stratified and non-linear time. A vision that responds more to emotion than to the rationality of chronological succession, and varies between what each image fixes and what the artist manipulates. (...)

Sérgio Fazenda Rodrigues

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